O trânsito de Jataí, especialmente na região do Jataí Shopping, virou exemplo claro de como decisões mal planejadas podem piorar problemas antigos. A promessa era simples: semáforos para melhorar a fluidez e reduzir acidentes. O resultado foi exatamente o contrário — mais congestionamento, mais irritação e nenhuma solução concreta.
Após a instalação dos equipamentos, a lentidão no trecho aumentou cerca de 85%, segundo relatos e medições feitas por motoristas que enfrentam o local diariamente. Os acidentes continuaram acontecendo, enquanto o trânsito passou a funcionar em ritmo de “anda e para”, castigando quem depende da via para trabalhar, estudar ou simplesmente atravessar a cidade.
Mesmo diante do caos, houve quem comemorasse a instalação dos semáforos como se fosse uma grande obra de infraestrutura. Um entusiasmo difícil de entender quando a realidade mostrava filas, buzinas e atrasos. A população percebeu rapidamente que a mudança não funcionou.
A rejeição popular foi quase unânime. 98% dos moradores não aprovaram as alterações, cansados da falta de fluidez e da sensação de que ninguém ouviu quem realmente usa as vias todos os dias. Mobilidade urbana não se resolve com discurso, mas com resultado — e ele não veio.
Recentemente, o próprio superintendente de trânsito, responsável pela SMT, esteve no local e reconheceu publicamente os efeitos negativos da intervenção. Segundo ele, a decisão foi baseada em “testes”. O problema é que esses testes foram feitos na prática, sem transparência e com o cidadão servindo de cobaia, arcando com o prejuízo de tempo e paciência.
Enquanto isso, novas intervenções continuam surgindo pela cidade. A mais recente é na Avenida 106 (Perimetral), no cruzamento com a Capitão Serafim de Barros, curiosamente próxima a um redutor de velocidade. A pergunta é inevitável: há estudos técnicos assinados por engenheiros de tráfego que sustentem essas decisões ou estamos diante de mais um capítulo do famoso “instala primeiro, pensa depois”?
O custo dessas experiências também precisa ser discutido. Cada equipamento instalado, testado e contestado representa dinheiro público. E, como sempre, quem paga essa conta não é quem decide nem quem comemora inaugurações — é o cidadão jataiense.
Este portal entende que trânsito não se resolve com improviso, marketing político ou discursos otimistas após decisões equivocadas. Mobilidade urbana exige planejamento técnico, responsabilidade e respeito à população. Errar pode até ser humano. Insistir no erro, chamando-o de teste, é escolha.