
Desde sexta-feira (14), moradores de Jataí enfrentam falta de água. Na segunda-feira (17), a resposta da Saneago foi praticamente um banho de água fria: não há previsão de normalização.
Jataí, a cidade que reluz — pelo menos no slogan — vive mais uma vez uma situação que já deixou de ser novidade e virou rotina: abrir a torneira e descobrir que a água decidiu tirar férias.
Desde a sexta-feira, 14 de agosto, moradores relatam falta de abastecimento em diversos pontos da cidade. E quando a população esperava uma solução, recebeu uma comunicação ainda mais preocupante: a própria Saneago informou nesta segunda-feira que não existe previsão para a normalização do serviço.
Isso mesmo.
Não tem água. Não tem previsão. Mas a conta, essa aparentemente continua chegando pontualmente.
E o problema não é exatamente novo.
A falta de água em Jataí já foi motivo de reclamações e explicações públicas há mais de uma década. Em 2012, por exemplo, a própria Câmara Municipal já registrava discussões sobre problemas de abastecimento e necessidade de ampliação da estrutura.
Em 2016, a Câmara também registrava questionamentos sobre investimentos da Saneago no município. Na ocasião, vereadores chegaram a perguntar para onde estaria indo o dinheiro arrecadado pela empresa e questionaram a ausência de investimentos no abastecimento de água.
Ou seja: o problema envelheceu, mas a solução parece continuar na fila de espera.
É importante reconhecer que a Saneago anunciou investimentos recentes no sistema de Jataí.
Em 2024, o Governo de Goiás informou a existência de um contrato de aproximadamente R$ 19 milhões, incluindo uma nova captação no Rio Claro, estação elevatória, adutora e novo reservatório. A nova captação teria capacidade de 480 litros por segundo, representando incremento de 50% na capacidade então existente.
E no relatório de sustentabilidade de 2025, a própria Saneago voltou a destacar a ampliação do sistema de abastecimento de Jataí, com nova captação no Rio Claro e o reservatório R-10.
Então fica a pergunta que não quer calar:
Se os investimentos foram anunciados, se novas estruturas foram planejadas e se milhões de reais foram destinados, por que Jataí continua vivendo crises de abastecimento que deixam a população sem saber nem quando poderá tomar banho?
Talvez esteja na hora de parar de inaugurar promessa e começar a entregar segurança hídrica de verdade.
Hoje, para o morador de Jataí, usar água da Saneago está quase parecendo jogo de azar:
Abriu a torneira?
Sai água?
Não sai água?
Sai amanhã?
Sai semana que vem?
Ninguém sabe!
A única coisa garantida é a tradicional conta no final do mês.
Porque água pode faltar.
A cobrança, não.
E quem sofre com isso não é apenas quem precisa tomar banho ou lavar roupa.
São restaurantes, lanchonetes, salões de beleza, mercados, clínicas, escolas, empresas e pequenos comerciantes que dependem diretamente do abastecimento para trabalhar.
Para quem vive do comércio, ficar sem água significa ficar sem condições de trabalhar — e, consequentemente, perder dinheiro.
A legislação municipal que disciplina a prestação dos serviços estabelece princípios como segurança, qualidade e regularidade no abastecimento. A mesma legislação prevê a atuação regulatória e fiscalizatória da AGR e mantém o Município com dever de fiscalização sobre a execução dos serviços.
Portanto, a discussão não deveria ser apenas:
“Quando a água vai voltar?”
A pergunta deveria ser muito maior:
Por que uma cidade do tamanho de Jataí ainda fica refém de um sistema que apresenta problemas recorrentes de abastecimento?
E mais:
Quem será responsabilizado pelos prejuízos causados aos moradores e comerciantes?
A Saneago precisa explicar, com transparência, o que exatamente aconteceu, quais equipamentos falharam, por que o sistema não possui redundância suficiente e qual é o cronograma real para solucionar definitivamente o problema.
Porque nota dizendo “não temos previsão” pode até explicar a situação.
Mas não resolve a sede de ninguém.
Jataí não precisa de desculpas.
Jataí precisa de água.
E, de preferência, água saindo da torneira — e não apenas das promessas, dos comunicados e dos relatórios.
SANEAGO, a população está cansada.
A torneira está seca.
O comércio está sofrendo.
E a paciência do jataiense também está chegando ao fim.
Boca no Trombone vai continuar cobrando respostas.
Obs.: os relatos sobre a falta de água desde 14/08 e a ausência de previsão de normalização são informações atribuídas à situação relatada pela população e à comunicação mencionada pelo solicitante; a reportagem não deve apresentar essas informações como nota oficial da Saneago sem o documento correspondente.
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