O que prometia ser uma grande demonstração de força da direita em Jataí acabou entregando uma cena bem mais modesta: uma caminhada do PL 22, realizada neste sábado, com a presença do candidato ao Senado Gustavo Gayer, que contou principalmente com a participação de cabos eleitorais, apoiadores e algumas lideranças políticas locais.
A expectativa, ao que tudo indica, era repetir o clima de mobilização visto em 2022. Só esqueceram de combinar com o eleitor.
Na avenida, a tão esperada multidão não apareceu.
E aí veio aquela pergunta inevitável: onde foi parar o povo?
Pelo jeito, o eleitor jataiense resolveu trocar a caminhada política pela caminhada... para outro lugar. 😂
O episódio também reacende uma discussão que vem ganhando espaço nos bastidores da política local: a existência de uma chamada “direita jataiense” que, segundo seus críticos, teria adotado uma postura bastante flexível quando o assunto é fazer alianças e ocupar espaços na administração pública.
É aquela velha história: na campanha, discurso de direita; depois da eleição, o GPS político começa a recalcular a rota.
Críticos apontam ainda para a presença de pessoas ligadas à esquerda em espaços da administração que se apresenta politicamente como de direita. Uma contradição que certamente rende assunto para muitas rodas de conversa — e algumas boas risadas.
Porque, convenhamos: se é direita, mas flerta com a esquerda, talvez seja necessário atualizar a bússola ideológica.
Em 2022, manifestações políticas em Jataí conseguiram reunir um número expressivo de pessoas e criaram uma forte sensação de mobilização popular.
Mas 2026 é outra história.
O eleitor mudou, ficou mais atento e, aparentemente, está menos disposto a comprar discurso pronto, rótulo ideológico ou promessa de ocasião.
O resultado da caminhada deste sábado pode ser interpretado de várias maneiras, mas uma coisa chamou atenção: o tamanho da mobilização ficou muito distante do tamanho do discurso.
E política, principalmente em ano eleitoral, tem uma regra cruel:
não adianta ter liderança, discurso inflamado, bandeira, camiseta e vídeo para redes sociais se o eleitor não aparece.
A presença de Gustavo Gayer certamente deu peso político ao evento. O candidato ao Senado é uma das figuras conhecidas do campo conservador em Goiás.
Mas nem mesmo sua presença foi suficiente para transformar a avenida em uma grande manifestação popular.
E aí fica a provocação:
será que o problema é falta de divulgação?
Falta de liderança?
Falta de credibilidade?
Ou será que o eleitor simplesmente está cansado de determinadas estratégias políticas?
Talvez a resposta esteja justamente nas ruas.
Jataí parece estar entrando numa fase interessante: o eleitor começa a olhar menos para o discurso e mais para as atitudes.
A pergunta deixou de ser apenas:
“Você é de direita?”
Agora parece ser:
“Tá bom... mas você faz o quê quando chega ao poder?”
Porque falar em direita durante a eleição é fácil.
Difícil é manter coerência depois que as urnas fecham, os cargos são distribuídos e as alianças começam a aparecer.
No fim das contas, a caminhada deste sábado deixou uma imagem que dificilmente será ignorada pelos estrategistas políticos:
muita bandeira, algumas lideranças, cabos eleitorais... e uma avenida esperando o eleitor que não veio.
Talvez o povo tenha recebido o convite.
Só não confirmou presença. 😏
A política local está esquentando. E o eleitor parece estar cada vez mais frio para certas conversas.