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Braço do PCC controla 28 postos em Goiás e expande rede criminosa no setor de combustíveis

Investigação aponta que empresário paulista é peça-chave na infiltração da facção em Goiás; bens de R$ 1,4 bilhão foram bloqueados pela Justiça

31/08/2025 às 16h20
Por: Redação Fonte: Daniel Dandan®
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Imagem de Internet
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O braço financeiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) encontrou em Goiás terreno fértil para crescer. Investigadores apontam que o empresário paulista Armando Hussein Ali Mourad, irmão de Mohamad Hussein Mourad — considerado líder de um gigantesco esquema de fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis — é o responsável pela expansão da facção no estado.

Armando controla 28 postos de combustíveis em 15 cidades goianas, incluindo Goiânia e Jataí, e figura como peça-chave na blindagem patrimonial e na lavagem de capitais da organização criminosa.


Megaoperação expõe rede bilionária

Na última quinta-feira (28), uma megaoperação conjunta da Polícia Federal, Receita Federal, Ministério Público Federal e MP-SP cumpriu dezenas de mandados em oito estados, incluindo Goiás.

A Justiça determinou o bloqueio de mais de R$ 1,4 bilhão em bens, entre imóveis e veículos, e revelou a infiltração da facção na cadeia produtiva do combustível, da distribuição às usinas.

Em Goiás, as ações se concentraram em dez empresas de Senador Canedo: nove distribuidoras e uma transportadora, todas com ligações diretas com Armando.


O império de Armando Mourad

Além dos postos, Armando é dono da Transportadora Infinity, citada no inquérito como engrenagem essencial na lavagem de dinheiro. A investigação também identificou fortes vínculos dele com cinco distribuidoras locais:

  • Duvale

  • Alpes

  • Arka

  • Império

  • Orizona

Todas compartilham sedes ou até cadastros de e-mail vinculados às empresas do empresário.

Já a Rede Sol Fuel foi descrita pelos investigadores como um “elo estratégico para a ocultação patrimonial e operacionalização das fraudes”.


Usinas de fachada

O grupo também teria assumido o controle de usinas no estado. A mais emblemática é a Goiás Bioenergia, com registros em Porteirão e em um escritório de coworking em Goiânia — indício de que se trata de empresa de fachada.

Outra usina sob investigação é a Centroálcool, em Inhumas, em recuperação judicial. O mercado já atribuía a Armando o comando da unidade desde 2023.


Lavagem sofisticada

Os investigadores descrevem uma estrutura empresarial complexa, formada por transportadoras, distribuidoras e usinas, que funcionavam como “camadas de ocultação” para dificultar o rastreamento do dinheiro.

O esquema incluía ainda operações via fintechs, usadas para mascarar transações milionárias e proteger o patrimônio ilícito.


Impacto em Goiás

O mapa da atuação mostra a força do grupo no estado:

  • 9 postos com a bandeira Infinity

  • 5 postos com a bandeira Futura

  • Maior concentração em Goiânia e Jataí (4 cada)

  • 3 unidades em Senador Canedo, epicentro da operação policial

Apesar do cerco, os investigadores alertam que a rede construída por Armando já está profundamente enraizada no mercado goiano de combustíveis.


O elo com o PCC

A Justiça paulista é categórica: “O grupo de Mohamad se instalou em Goiás principalmente por meio da atuação de Armando, pessoa-chave na estrutura da organização criminosa”.

Enquanto Mohamad segue foragido, Armando teve bens bloqueados e figura como um dos maiores símbolos da infiltração do PCC no setor de combustíveis no Brasil.

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